Nutrição

Ração para cachorros cardiopatas: especialista desvenda como o alimento age no organismo de cães com insuficiência cardíaca

Juliana Melo

leitura de 4 minuto

A ração para cachorro cardiopatas tem uma formulação diferenciada

Já se perguntou quanto tempo vive um cachorro cardíaco? Embora essa seja uma questão difícil de ser respondida, existem vários fatores que influenciam nisso. Um deles é a alimentação que o pet recebe após o diagnóstico. Mas você já se perguntou como funciona a ração para cachorro com problemas no coração? Para responder a essa e outras dúvidas, nós conversamos com a médica veterinária Andresa Esteves. Veja o que ela nos contou abaixo!

Existe ração para cachorro cardiopata?

Sim! De acordo com a especialista, inúmeras empresas disponibilizam uma ração formulada especialmente para cachorros com doenças cardíacas. “O animal cardiopata precisa de uma ração diferenciada. Sua formulação costuma ser altamente restrita em Sódio (Na) e conter suplementos para o coração como Ômega-3, Taurina ou L-Carnitina”, explica.

Os principais objetivos dessa ração para cachorro incluem diminuir a ocorrência de complicações, melhorar a qualidade de vida do paciente e retardar a progressão da doença. Porém, é importante ficar atento às contra indicações do produto: “Tem contra indicação para gestantes, lactantes e para cães em crescimento.”

As diferenças da ração tradicional para a ração de cachorro cardiopata

A ração para cachorro cardiopata melhora a qualidade de vida de cães diagnosticados com esse quadro

“Animais saudáveis normalmente comem alimentos de manutenção, que são o suficiente para satisfazer suas necessidades nutricionais, como energia e proteína nos níveis de garantia adequado.  Já a ração para cachorro cardiopata tem alguns ajustes no nível de energia e proteína para garantir o equilíbrio eletrolítico, buscando reduzir os sintomas e contribuir para que a doença não avance”, é o que diz Andresa.

Além disso, a médica veterinária lembra que o envelhecimento é um processo fisiológico que consiste no declínio progressivo da capacidade funcional do organismo. Uma das principais consequências disso é que o processo diminui a habilidade do indivíduo em manter a homeostase. Por esse motivo, a nutrição é fundamental para atender essas manifestações, fornecendo nutrientes focados para cães cardiopatas.

Entenda a composição da ração para cachorro com problemas cardíacos

Segundo a especialista, a ração para cachorro cardiopata proporciona níveis ideais de energia, minimiza o estresse oxidativo, reduz a inflamação, mantém o equilíbrio eletrolítico e melhora a performance cardíaca.

“Cães cardiopatas podem apresentar apetite reduzido, assim causando uma perda patológica de massa magra que está associada à perda de peso corporal. Por esse motivo contém maior teor calórico e uma fórmula altamente palatável pode ajudar a reduzir a perda de massa muscular e preservar o escore de condição corporal”, esclarece. 

E qual a melhor ração para cachorro cardiopata? A veterinária destaca os principais nutrientes desse tipo de alimentação incluem:

  • Baixo teor de sódio: “redução do sódio reduz a pressão dentro dos vasos e, portanto, a carga de trabalho do coração.”
  • Carnitina: “necessária para a oxidação da gordura no coração e, portanto, ajuda a garantir o suprimento de energia para o coração e pode melhorar a força contrátil.
  • Arginina: “melhora o trabalho cardíaco nesses pacientes.”
  • Antioxidantes: “diminui o estresse oxidativo, particularmente a vitamina E. Busca um equilíbrio entre dano oxidativo e proteção por antioxidantes em animais com insuficiência cardíaca crônica.”
  • Ômega 3: “reduz o risco de arritmia em pacientes com doença cardíaca.”
  • Magnésio e potássio: “são dois eletrólitos que podem se tornar desequilibrados, por esse motivo devem receber dietas com adequada concentração de magnésio e potássio, evitando desequilíbrios e suas consequências.”

Como trocar a ração de cachorro após o diagnóstico?

A troca de ração de cachorro deve ser feita de forma gradual para não irritar o sistema gastrointestinal e nem causar o estranhamento e uma possível rejeição do pet. Sobre a maneira certa de fazer essa troca, Andresa orienta: “O modelo mais praticado é misturar as rações de maneira que os novos grãos possam ganhar espaço no potinho aos poucos. Comece oferecendo 25% do novo alimento, depois aumente para metade/metade, eleve a oferta para 75%, até que chegue o dia que o seu pet comerá a nova ração sem ter se dado conta. A transição costuma acontecer em dez dias.”